Conheça Modesta: A onça-pintada que foi flagrada nas margens de uma rodovia em Apiaí

Escrito em 01/08/2019
Imprensa

Na imagem, uma onça-pintada aparece nas margens de uma rodovia, olha para a câmera, aparentemente se assusta e volta para a mata. Essa é a descrição de um vídeo que começou a ser divulgado nas redes sociais, no começo de julho, quando um caminhoneiro conseguiu flagrar uma onça nas margens da Rodovia Sebastião Ferraz de Camargo Penteado (SP-250), entre o acesso ao Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) – Núcleo Caboclos e Apiaí.

No entanto, apesar da movimentação nas redes sociais e nos veículos de comunicação, cenas como essa são um tanto quanto comuns na região. De acordo com o gestor do parque, Rodrigo Aguiar, a onça flagrada pelo caminhoneiro se chama Modesta e está sendo acompanhada por pesquisadores desde 2008, há onze anos. O animal ainda costuma passear ao redor do parque e já foi vista por quatro grupos de turistas, que visitaram o núcleo nos últimos anos. Contudo, apesar da exposição da onça com esses visitantes, o acontecimento não foi considerado algo de risco, isso porque, Modesta tem o costume de se afastar quando percebe que há alguém por perto.

Essas informações foram possíveis graças ao trabalho realizado por cerca de dez pesquisadores que fazem parte do projeto de monitoramento “Onças da região do Vale do Ribeira e do Alto Paranapanema”, que fazem parte das Unidades de Conservação da Serra de Paranapiacaba. De acordo com Rodrigo Aguiar, este projeto é voltado para a conservação de grandes carnívoros em toda a serra. No entanto, Modesta não é a única onça-pintada monitorada não, acredita-se que haja pelo menos vinte e duas onças em toda a região que abrange o PETAR, Intervales, Carlos Botelho, Nascentes do Paranapanema e Estação Ecológica Xitué.

Isso porque, segundo a coordenadora do projeto, Beatriz Beisiegel, as onças são monitoradas de acordo com as pintas espalhadas pelo corpo, essas são consideradas as impressões digitais de cada animal. “Nos últimos treze anos, já registramos no mínimo vinte e dois bichos, dos quais alguns já morreram, e no máximo trinta. Essa diferença é porque tenho a identificação completa, fotos dos dois lados de treze bichos e identificação incompleta de nove perfis esquerdos e oito perfis direitos, que podem ou não ser dos mesmos bichos. Às vezes leva anos para ter a identificação completa de uma onça”, afirma a coordenadora.

O trabalho de monitoramento é feito por meio de câmeras, essas são espalhadas pela mata e são identificadas como “armadilha fotográfica” que é uma espécie de material que ativa por um sensor de movimento. Essas câmeras são importantes porque capturam imagens dos animais sem que os pesquisadores precisem estar presentes, o que não oferece nenhum risco para ambas partes, já que não tem interferência humana. Dessa forma, esse projeto pode ser visto como um zoológico à céu aberto com espaço amplo e livre, que tem como objetivo acompanhar a vida do animal, sem prejudicar seu habitat.

Esse projeto acontece desde 2008, mas ainda de acordo com a coordenadora, há registros de onças em 2006 e até a de um pesquisador que conseguiu registrar uma foto em 2003, o que revela a importância do trabalho que visa a conservação e o conhecimento do animal. “Essa região que junta Petar, Carlos Botelho e Intervales é uma das duas regiões mais importantes para a conservação da onça-pintada em toda mata atlântica. Isso é fundamental para conservação e conhecimento delas”, comenta.

O material divulgado e compartilhado nas redes sociais foi muito importante para o grupo de monitoramento. Isso porque, Modesta foi fotografada pela primeira vez no Parque Carlos Botelho, há 89 km de onde foi registrada no início de julho, distância que percorreu em onze anos. “Essa onça foi fotografada pela primeira vez em 2008 no Carlos Botelho, há 89 km a leste desse registro atual. Então nesse período, ela foi sendo registrada em Carlos Botelho, Intervales e no Petar, só que o último registro que tivemos dela foi em 2017, ela já estava com filhote e em uma idade que já é quase limite para uma onça pintada ter filhotes, e com esse registro sabemos que ela está viva e andou mais cinco quilômetros de onde ela foi vista pela penúltima vez (2017). Dessa forma conseguimos saber por onde ela anda e que está bem. Essa é uma das maiores distancias já registradas para deslocamento de uma onça-pintada, então foi um registro muito importante”, afirma a coordenadora.

O nome Modesta foi escolhido como homenagem ao antigo gestor do parque, Antônio Modesto Pereira, figura de orgulho e reconhecimento aos pesquisadores e funcionários. Ainda que o foco do projeto seja monitorar as onças-pintadas, outros animais já foram flagrados pelas câmeras, o que prova a diversidade de espécies da fauna no entorno desses parques, os animais flagrados até o momento foram: queixadas, uma espécie de porco-do-mato e a paca, uma espécie de roedor.

Malu Martins – Assessoria de Imprensa